“Uma mãe levou o filho até Mahatma Gandhi e implorou-lhe: – Por favor, diga a meu filho para não comer mais açúcar… Depois de uma pausa, Gandhi pediu à mãe: – Traga seu filho de volta daqui a duas semanas. Duas semanas depois ela voltou com o filho. Gandhi olhou bem no fundo dos olhos da criança e lhe disse: – Não coma açúcar…

 

Agradecida, porém perplexa, a mulher perguntou: – Por que me pediu duas semanas? Podia ter dito a mesma coisa a ele antes! E Gandhi respondeu-lhe: – Há duas semanas, eu estava comendo açúcar.”

Estou terminando de ler um livro chamado “A morte é um dia que vale a pena viver: E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida”. Pode parecer mórbido, mas a médica e escritora Ana Cláudia Quintana relata com sensibilidade a importância de tratarmos desse tema e nos prepararmos para esse momento, tanto o nosso como daqueles que amamos.

Como em paralelo me preparo para facilitar alguns projetos sobre Liderança, foi inevitável fazer uma conexão entre os dois temas. A experiência do Gandhi que menciono no início do texto foi citada no livro e me remeteu ao papel do líder. Como podemos orientar nosso colaborador – para não dizer “exigir que ele faça algo” – se nós mesmos não fazemos?

Dentre muitas outras considerações, pensei sobre as escolhas de carreira que fazemos, para estarmos cientes de como usamos nosso tempo, que está passando. Ouvimos recorrentemente algumas pessoas falarem que “depois do trabalho vou começar a viver e fazer tudo o que eu quero”. Isso pode ser tão enganoso, visto que precisamos viver o hoje!

Um levantamento no livro revela os maiores arrependimentos das pessoas antes de morrer e traz como primeiro deles a máxima “gostaria de ter priorizado minhas escolhas em vez de ter feito escolhas para agradar aos outros”. Será que vivemos a liderança autêntica, que nos possibilita ser quem somos e não simplesmente seguir aquilo que nos é dito? A autora fala sobre “gente que não está viva de fato” e me pego relembrando líderes que conheci e que irradiavam vivacidade e evidenciavam que sua opção por ser líder era genuína. Outros nem tanto… O segundo arrependimento mencionado diz respeito a ter trabalhado muito. Isso se não encaramos nosso trabalho como algo que faça o mundo ficar melhor, inclusive para as pessoas com quem trabalhamos. Mas, se for este o caso, vale mesmo a pena trabalhar muito.

Encerro minhas divagações com uma última citação que diz: “Pessoas morrem como viveram. Se nunca viveram com sentido, dificilmente terão a chance de morrer com sentido.” Aproveite para investigar o sentido que você vem dando à sua liderança. Talvez isso te torne um líder ainda melhor.

Alena de Castro