Há alguns dias saiu um artigo na BBC com o pesquisador e professor da Universidade de Stanford Jeffrey Pfeffer, que escreveu o livro “Dying for a paycheck”. Ele defende através de uma extensa pesquisa que o trabalho vem matando muita gente, em função de cargas horárias extenuantes, stress, uso de drogas que mantenham as pessoas despertas e ausências de folgas que realmente sirvam a tal propósito.

Curioso observar que essa onda – talvez um tanto recente – de pregar um ambiente de trabalho mais saudável, tenha uma razão bastante pragmática, que é a econômica. O estudioso acredita que as empresas dos Estados Unidos gastam cerca de U$ 300 bilhões ao ano para cobrir problemas relacionados a doenças de seus funcionários. Imaginem o quanto nosso país gasta com esse mesmo problema?

Outro dado que chama atenção é a percepção de que os responsáveis por esse cenário sejam os próprios empregadores e até os governos, que se omitem. Fico pensando se em algum momento conseguiremos reverter esse quadro e transformar alguns ambientes corporativos em lugares menos tóxicos para se trabalhar.

Enquanto isso não acontece para muitos de nós, pense em como você vem se cuidando e equilibrando seu trabalho com a vida pessoal. Tendo em vista o elevado índice de desemprego em nosso país, sabemos que a grande maioria das pessoas vem agarrando as oportunidades que aparecem com unhas e dentes. No entanto, reflita se a sua necessidade está passando por cima do seu próprio bem-estar. Talvez se nos mostrarmos um pouco mais exigente com nossas escolhas e limites, as empresas constatem que não estamos nos submetendo a tudo o que nos impõe. Lembre-se: o trabalho vem matando as pessoas.

Alena de Castro