Quando atuo como Facilitadora em treinamentos com liderança eu costumo mencionar com frequência experiências do dia a dia com meu filho Pedro, de nove anos, ao falar dos desafios que os líderes enfrentam em sua rotina. Faço isso como uma provocação para pensarmos sobre os comportamentos que muitas vezes adotamos junto aos nossos colaboradores, mas jamais com o intuito de infantilizá-los.

Um livro que recentemente mexeu comigo ao refletir tanto sobre o papel maternal como o de liderança foi “Mindset, a nova psicologia do sucesso”, de Carol S. Dweck. A autora defende que todos nós temos dois tipos de mindset: o fixo, que tem como uma de suas premissas o fato de que você pode aprender coisas novas, mas você não pode mudar o quanto inteligente você é, e o de crescimento, que se baseia na crença de que suas qualidades básicas são coisas que você pode cultivar através do seu esforço.

Foi então que resgatei falas recorrentes do tipo: “aquele meu colaborador é capaz de entregar só aquilo que ele já faz e não tem jeito de exigir mais nada dele”, “aquela colaboradora trabalha naquilo há um tempão, imagine se agora eu decido lançar um desafio maior para ela? Ela não vai conseguir dar conta!”

Obviamente prestei também atenção no risco de estar fazendo o mesmo com o meu filho. Qual a probabilidade de eu concluir que ele possui habilidades para determinadas coisas e que para outras nem vale o investimento? Ou ainda, como posso cair na armadilha de querer incentivá-lo e reconhecer seu êxito, mencionando que ele é inteligente, em vez de legitimar seu esforço? Ler o livro tem me ajudado a pensar nessas atitudes.

Como mencionei inicialmente, acho que o mesmo exercício vale para nossa liderança. Precisamos pensar se de alguma forma rotulamos os profissionais, investimos energia naqueles que consideramos potenciais, e desafiamos muito pouco aqueles que acreditamos não serem merecedores de atenção. O mindset serve para lembrarmos que temos uma escolha e que podemos mudar de opinião.

Alena de Castro